O metanol é um tipo de álcool altamente tóxico, incolor e de odor suave, muitas vezes confundido com o etanol. Apesar de ser utilizado na indústria química e em combustíveis, sua ingestão ou manipulação inadequada pode causar graves intoxicações, levando à cegueira e até à morte. Até a tarde da última quinta-feira (2), o governo já havia registrado 59 notificações de intoxicação por metanol, segundo balanço apresentado pelo ministro Alexandre Padilha, em entrevista à imprensa na Sala de Situação, instalada para monitorar os casos e coordenar as medidas de resposta. Casos de envenenamento geralmente estão relacionados ao uso irregular da substância em bebidas falsificadas, o que torna sua fiscalização e combate fundamentais para a saúde pública.
Quimicamente classificado como o mais simples dos álcoois, ele é obtido a partir do gás natural, da madeira ou até de resíduos agrícolas. Seu custo relativamente baixo faz com que seja empregado na produção de solventes, plásticos, tintas e até na indústria automotiva, como aditivo ou substituto da gasolina.
Riscos à saúde
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ingestão de pequenas quantidades de metanol pode ser fatal. O contato com a substância pode causar dor de cabeça, náusea, tontura, cegueira irreversível e até morte. Casos de intoxicação são frequentemente associados à adulteração de bebidas alcoólicas, prática criminosa que preocupa autoridades sanitárias em diversos países, incluindo o Brasil. Segundo o Ministério da Saúde o metanol é altamente tóxico e pode levar à morte. Entre agosto e setembro deste ano, o estado de São Paulo notificou 17 casos de intoxicação por metanol, sendo: 6 confirmados, 10 em investigação e 1 descartado. Normalmente, o Brasil registra 20 casos por ano.
Sintomas de intoxicação
Os principais sinais e sintomas devido a intoxicação por metanol são dor abdominal, visão adulterada, confusão mental e náusea que podem aparecer entre 12h e 24h após a ingestão da substância. Diante desses sintomas, o paciente deve procurar o atendimento médico no serviço de emergência mais próximo a sua casa para investigação diagnóstica e tratamento adequado. O profissional de saúde deve ligar para o CIATox da sua região para que o serviço de saúde faça a notificação e a investigação do caso.
Padilha ainda fez um alerta à população para evitar o consumo de bebidas destiladas de origem desconhecida, principalmente as incolores, até que a situação esteja controlada.
“Recomendo, na condição de ministro da Saúde, mas também como médico: evite, neste momento, ingerir um produto destilado, sobretudo os incolores, que você não tem a absoluta certeza da origem dele. Não estou falando de um produto essencial para a vida das pessoas, um produto da cesta básica. É um produto que é objeto de lazer. Não faz problema nenhum na vida de ninguém evitar o consumo desses destilados”, disse Padilha.
“Nós estamos diante de uma situação anormal e diferente de tudo o que consta na nossa série histórica em relação à intoxicação por metanol no país. A entrada da Polícia Federal no plano se deve à suspeita de envolvimento de uma organização criminosa relacionada à adulteração de bebidas”, reforçou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Impactos ambientais
Na esfera ambiental, o uso do metanol como biocombustível levanta discussões. Defensores afirmam que ele é capaz de reduzir emissões de gases poluentes em comparação à gasolina. Por outro lado, ambientalistas destacam que o processo de produção, se mal conduzido, pode gerar resíduos nocivos e contribuir para a degradação de ecossistemas.
Perspectivas
Pesquisadores avaliam que o metanol pode desempenhar um papel estratégico na transição energética, mas reforçam que a expansão de seu uso deve vir acompanhada de políticas públicas que priorizem a segurança e a preservação ambiental.
Debate regulatório
No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mantém regras rígidas para o comércio e uso do metanol. Ainda assim, especialistas defendem a necessidade de ampliar a fiscalização, sobretudo diante do crescimento do mercado de combustíveis alternativos.
Em casos de suspeitas de intoxicação é importante procurar ajuda médica e procurar algumas destas instituições abaixo:
Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001;
CIATox da sua cidade para orientação especializada (veja lista aqui); LINK: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/animais-peconhentos/ciatox
Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733 – de qualquer lugar do país;
Números para o estado de Mato Grosso
Centro Antiveneno de Mato Grosso – CIAVE
Telefone Emergência: 0800-722-6001
Telefone: (65) 3318-4872 / (65) 98407-9763



















