Parlamentar levantou suspeitas sobre composição do colegiado e pediu afastamento do presidente, mas apuração não confirmou irregularidades
Mais uma denúncia com potencial para virar munição política terminou sem a confirmação das irregularidades apontadas. O Ministério Público arquivou a Notícia de Fato aberta a partir de uma denúncia apresentada pelo vereador Sérgio Rodrigues Gonçalves, o Crocodilo, contra o Conselho Municipal de Saúde de Primavera do Leste.
O documento encaminhado pelo parlamentar levantava suspeitas sobre a composição e o funcionamento do Conselho e questionava, inclusive, a permanência de Elias Frota Prado na presidência do colegiado. A denúncia chegou a ser levada ao Plenário do Conselho, onde uma assessora do vereador esteve pessoalmente para entregar o documento.
O assunto ganhou espaço, houve discussão e até manifestação de apoio de outros parlamentares. Só faltou combinar com os documentos.
Na análise realizada pelo Ministério Público, as supostas irregularidades não foram confirmadas. A apuração apontou que a composição do Conselho respeita a proporcionalidade prevista na legislação municipal e que não havia irregularidade capaz de sustentar as acusações apresentadas.
Também caiu por terra o questionamento relacionado à situação funcional do presidente.
Elias Frota Prado é servidor efetivo do município desde 2014, ocupa o cargo de fisioterapeuta e exerce a função de coordenador do Centro de Reabilitação por meio de função gratificada. No Conselho, representa o segmento dos trabalhadores da Saúde e chegou à presidência por meio de eleição realizada pelo próprio Plenário.
Ou seja: aquilo que foi apresentado como suspeita de irregularidade não encontrou respaldo na apuração do Ministério Público.
Fiscalizar é obrigação. Transformar tudo em guerra política é outra história
Ninguém questiona o papel de um vereador de fiscalizar. Aliás, deve fiscalizar. O problema começa quando toda e qualquer situação envolvendo a Saúde parece se transformar em uma nova oportunidade para tentar criar desgaste político.
E esse episódio deixa uma pergunta incômoda: quantas vezes uma denúncia precisa ser feita e arquivada para que se perceba que talvez o problema não esteja na Saúde, mas na forma como alguns escolhem fazer oposição?
Enquanto a Secretaria Municipal de Saúde mantém mutirões, amplia atendimentos e coloca equipes para trabalhar na ponta, parte da política parece empenhada em procurar qualquer brecha para transformar a Saúde em palco de disputa.
Agora, até o Conselho Municipal de Saúde entrou na mira.
E quando a denúncia chega ao Ministério Público, é analisada e não encontra as irregularidades apontadas, talvez seja hora de rever a estratégia.
Porque fiscalização séria produz resultados. Apuração responsável esclarece fatos. Mas denúncia sem fundamento, quando arquivada, também produz uma consequência: expõe quem escolheu fazer barulho antes de ter certeza sobre aquilo que estava denunciando.
No fim, o episódio deixa uma lição simples para a política de Primavera do Leste: quem acusa precisa estar preparado para a hora em que os documentos falarem mais alto que o discurso.
E, neste caso, falaram.






















