Lei que proíbe transporte de pescado resultou na elevação de 40% do turismo de pesca esportiva.
A política ambiental que antes gerava desconfiança hoje é apontada como um dos maiores acertos de Mato Grosso. Desde que o Projeto de Lei nº 12.197/2023, de autoria do deputado Dilmar Dal Bosco (União Brasil), foi aprovado pela Assembleia Legislativa em janeiro de 2024, o cenário da pesca e do turismo mudou radicalmente no estado.
A chamada Lei do Transporte Zero, que proíbe o transporte, comércio e armazenamento de pescado, provocou uma verdadeira revolução ecológica e econômica. Regiões antes marcadas por degradação ambiental agora atraem turistas, investimentos e novas oportunidades de negócio — consolidando Mato Grosso como o principal destino brasileiro da pesca esportiva, “essa é uma lei que deu certo. Ao proibir o transporte de peixes, conseguimos provocar uma nova cultura. Hoje somos um grande polo do turismo da pesca esportiva. Parabéns ao governador Mauro Mendes, ao vice Otaviano Pivetta e à Assembleia Legislativa por acreditarem nessa mudança”, afirmou o deputado Dilmar Dal Bosco.
Crescimento acelerado e novos investimentos
De acordo com empresários do setor, o turismo de pesca cresceu entre 30% e 40% nos últimos dois anos. O resultado é visível nas pousadas, marinas e hotéis especializados que se multiplicam em várias regiões do estado.
O empresário cuiabano Alisson Fagner Santos Trindade, presidente da Associação Mato-Grossense de Ecoturismo e Pesca Esportiva, é um dos exemplos de quem apostou nesse novo momento. Ele inaugurou a Marina Sérgio Motta, em Cuiabá, com investimento de cerca de R$ 4 milhões, “esse investimento só foi possível graças à evolução do turismo de pesca em Mato Grosso. A lei criou um ambiente jurídico estável e a resposta foi imediata: mais peixes nos rios, mais turistas e mais negócios. Hoje, recebemos um público qualificado, de fora do estado, que movimenta pousadas, hotéis, transporte aéreo e toda a cadeia produtiva”, destacou Alisson.
Sustentabilidade e emoção nas águas
Para Guilherme Motta, CEO da Fish TV e organizador da Fishing Show Brazil, Mato Grosso tem um valor simbólico que vai além dos números. Ele guarda na pele e na memória uma lembrança especial do Rio Teles Pires, em Alta Floresta, onde pescou sua primeira pirarara ao lado do pai, “foi uma conexão de corpo e alma com a natureza. Preservar os peixes e os rios é fundamental para que outras gerações possam viver experiências como essa”, contou Motta.
Rios mais vivos e cardumes em recuperação
O reflexo da lei já é perceptível em várias regiões. A empresária Luana Karine, proprietária de uma pousada em Nova Canaã do Norte, afirma que os cardumes estão se renovando rapidamente, “às pessoas estão respeitando e não matam mais o peixe. Já vemos espécies voltando, como o jaú, em maior número e também em tamanhos menores, sinal de renovação dos cardumes”, relatou.
No Pantanal, o empresário Marcelo Martinelli, que atua há 25 anos em Cáceres, confirma a mesma tendência, “no início, alguns clientes vinham pensando em levar peixe, mas logo entenderam a nova lógica. Hoje, a procura só aumenta. Temos reservas cheias para esta temporada e alta demanda para o ano que vem”, contou.
Política pública e preservação ambiental
A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) mantém uma estratégia dupla: promover Mato Grosso em feiras nacionais e fortalecer a política do Transporte Zero.
Segundo a secretária adjunta de Turismo, Maria Letícia Costa, a combinação de conservação ambiental, investimentos privados e apoio público tem sido essencial, “o cenário aponta para a consolidação do estado não apenas como polo econômico do agronegócio, mas também como destino internacional de natureza e aventura”, afirmou.
Benefício social e ambiental
Além dos ganhos ambientais e econômicos, a legislação também garante apoio financeiro aos pescadores profissionais e artesanais, que recebem um salário mínimo por mês durante três anos, desde que inscritos no Registro Estadual de Pescadores Profissionais (Repesca) e no Registro Geral de Pesca (RGP).
Para o deputado Dilmar Dal Bosco, a medida foi um divisor de águas para Mato Grosso, “essa política mudou a cultura e devolveu vida aos rios de Mato Grosso. Empresários e pescadores relatam o aumento da quantidade e variedade de espécies. É um avanço ambiental e econômico que projeta o estado para o futuro”, concluiu.



















