O deputado estadual Dilmar da Bosco denunciou na Assembleia Legislativa, supostas irregularidades e falta de transparência no processo de concessão da Energisa — empresa responsável pelo fornecimento de energia elétrica em Mato Grosso. O parlamentar exigiu a abertura imediata de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o contrato firmado entre o governo e a concessionária.
Segundo o deputado, há indícios de que a Energisa tem operado sem o devido controle público sobre reajustes tarifários, qualidade do serviço prestado e metas de investimento. “O povo está pagando caro por um serviço precário, enquanto a empresa lucra bilhões. É nosso dever investigar e cobrar responsabilidades”, afirmou em plenário.
Entre as denúncias apresentadas estão atrasos sistemáticos em obras de infraestrutura energética, quedas frequentes no fornecimento de energia em áreas rurais e urbanas, além de uma série de aumentos tarifários autorizados sem a devida justificativa técnica ou participação da sociedade civil.
Recentemente houve renovação no contrato de concessão com a Energisa firmado com validade prevista para mais de duas décadas, mas, segundo o parlamentar, o processo foi conduzido “à portas fechadas”, sem audiências públicas efetivas ou divulgação clara das cláusulas contratuais. Ele também questionou a ausência de mecanismos eficientes de fiscalização por parte da Agência Reguladora Estadual.
“Queremos saber quem ganha com esse silêncio. Quem lucra quando a população sofre com apagões, sobretaxas e péssimo atendimento?”, disparou o deputado. “Já passou da hora de abrirmos a caixa-preta da Energisa.”
Repercussão e próximos passos
A fala do deputado repercutiu entre outros parlamentares e provocou reação imediata nas redes sociais. Diversos parlamentares, além de lideranças no estado e representantes de sindicatos manifestaram apoio à instalação da CPI. A bancada na ALMT já articula as assinaturas necessárias para viabilizar o requerimento, que deve ser protocolado nas próximas semanas.
Em nota, a Energisa afirmou que “atua com total transparência e dentro das normas regulatórias estabelecidas pela ANEEL”, e que está “à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos”.
Enquanto isso, cresce a pressão popular por uma investigação aprofundada. A sociedade exige respostas — e os próximos dias devem ser decisivos para definir se o parlamento terá coragem de encarar um dos contratos mais polêmicos da gestão energética no estado.




















